De um lado, Tadeu de Souza oficializa sua entrada na federação União Progressista com direito à palavra “reeleição” estampada na publicação. Não foi detalhe. Foi recado. Tadeu deixou de ser coadjuvante e passou a construir projeto próprio ao Governo do Amazonas — inclusive assumindo que, dentro do grupo de David, não teria espaço para viabilizar essa candidatura.
Outro ponto que entrou no radar foi a especulação sobre Maria do Carmo como possível vice de Tadeu. Ela negou. Assim como na eleição passada, e logo que enxergou que não havia viabilidade, recalculou a rota e aceitou ser o que ‘batia no peito que não seria’, na política tem dessas. Muita coisa pode acontecer e o jogo pode mudar nos últimos segundos, essa “negativa” é vista por muitos apenas como um ganho de tempo.
De outro lado, David tenta sustentar a narrativa de que a relação permanece “no campo pessoal”, enquanto, politicamente, admite que não poderia apoiar o vice. Traduzindo: cada um já escolheu seu lado.
O cenário se torna ainda mais complexo quando David se aproxima do ex-governador José Melo — o único ex-governador do Amazonas a ter sido preso, investigado por crime eleitoral — que agora atua como articulador da pré-campanha de David no interior. Um movimento arriscado, especialmente porque o interior sempre foi um dos calcanhares de Aquiles do prefeito.
Enquanto isso, Tadeu amplia pontes e ganha musculatura política. E, nos bastidores, comenta-se que grupos empresariais ligados ao vice teriam perdido espaço dentro da Prefeitura, reforçando a leitura de que a convivência deixou de ser estratégica e passou a ser protocolar.
O resultado é evidente: a sede pelo poder pode colocar David diante de dois ex-aliados em 2026. Tadeu, que já assumiu protagonismo e redesenhou sua rota. E antigos parceiros que agora orbitam outros projetos.
Na política, alianças duram enquanto os interesses caminham juntos. Quando o projeto deixa de ser coletivo e passa a ser individual, o grupo racha — mesmo que ninguém anuncie oficialmente.





